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Boat anchor (metáfora).

Metáfora para equipamentos obsoletos

No radioamadorismo e na computação, um boat anchor ou boatanchor (âncora de barco) é algo obsoleto, inútil e desajeitado – assim chamado porque, metaforicamente, seu único uso produtivo é ser jogado na água como poita de um barco. Termos como tijolo, trava-porta e peso de papel são similares.

Radioamadorismo

No radioamadorismo, um boat anchor ou boatanchor é um equipamento de rádio antigo. Geralmente é usado em referência a equipamentos de rádio grandes e pesados de décadas passadas que usavam válvulas. Nesse contexto, os boat anchors costumam ser valorizados por seus donos, e seus pontos fortes (por exemplo, a imunidade a EMP) são enfatizados, mesmo que equipamentos mais novos sejam mais capazes.

Um uso inicial do termo apareceu em uma edição de 1956 da revista CQ Amateur Radio Magazine. A revista publicou a carta de um leitor que procurava "esquemas ou dados de conversão" para um Wireless Set No. 19 MK II transceptor excedente de guerra, a fim de modificá-lo para uso nas faixas de radioamador. O editor acrescentou esta resposta:

"A única conversão que parecemos ter nos arquivos aqui da CQ exige 100 pés de corda de Manila de 1 polegada, cuja ponta deve ser amarrada firmemente em torno do MK II Transceiver. Isso converte a unidade em uma ótima âncora para um barco pequeno. Se algum leitor tiver conversões melhores, ficaremos felizes em saber delas. — Ed."

CQ: The Radio Amateurs' Journal, outubro de 1956

O uso do termo pelo editor gerou algum interesse dos leitores e, em fevereiro de 1957, a CQ publicou uma matéria de acompanhamento que incluía fotos.

Computadores

A metáfora se transfere diretamente dos rádios antigos para os computadores antigos. Ela também foi estendida para se referir a software obsoleto.

Hardware

Os primeiros computadores eram dispositivos fisicamente grandes e pesados. À medida que os computadores se tornaram mais compactos, o termo boat anchor tornou-se popular entre os usuários para indicar que os equipamentos de computador mais antigos e maiores eram obsoletos e não mais úteis.

Software

O termo boat anchor foi estendido para o código de software que é deixado na base de código de um sistema, normalmente para o caso de ser necessário mais tarde. Isso é um exemplo de antipadrão e, portanto, pode causar muitos problemas para quem tenta manter o programa que contém o código obsoleto. O problema principal vem do fato de que os programadores terão dificuldade em diferenciar entre código obsoleto, que não faz nada, e código funcional, que faz.

Por exemplo, um programador pode estar investigando um bug no sistema de tratamento de entrada do programa, então ele vasculha o código em busca de código que se conecta à API de tratamento de entrada. Obviamente, se o programador se deparar com código de tratamento de entrada obsoleto, ele pode muito bem começar a editá-lo e depurá-lo, desperdiçando um tempo valioso antes de perceber que o código com o qual está trabalhando nunca é executado e, portanto, não faz parte do problema que ele está tentando resolver. Outros problemas incluem tempos de compilação mais longos e o risco de os programadores acidentalmente conectarem código funcional ao código defunto, ressuscitando-o sem querer.

Uma solução recomendada para lidar com boat anchors no código-fonte é removê-los da base de código e colocá-los em um local separado, para que possam ser consultados se necessário, mas não sejam compilados nem confundidos com código "funcional". (Por exemplo, excluí-los, sabendo que estão armazenados no controle de versão do projeto)